quinta-feira, 20 de setembro de 2012


Chegará o dia em que os rugidos serão soltos. Mas será que alguém contará quantas vezes nós fizemos os outros sorrirem ou quantas vezes repousamos os nossos corpos perante outros corpos para idolatrá-los? Mas chegará o dia em que as mãos perderão seus movimentos e não vão mais se direcionar a outras mãos, ou mesmo os pés que não precisarão acompanhar nada, nem mesmo os quadris vão sentir a necessidade de se oferecer a outros quadris. É através da janela ,que entra os agitados raios de luz solar, que se ouvirá o jubilo infernal. A mentira que se criou, quando o fraco temeu o forte, pela palavra e na palavra, será silenciada pelo rugido. E é a partir daí que não mais olharemos aos céus com lágrimas beatas sofridas, nem louvaremos pela fraca condição humana. Não haverá mais longas palavras, nem longas frases, nem ideias que se perdem ao vento, entre um som que emana de cada célula animal e a vontade sem limites e sem razão do amanhã.
Que tudo permaneça contraditoriamente vivo e pulsante! 







Informação = Munição.

E tem muita gente armada por aí.


As Fases da Lua



Caminhando pela densa floresta,
Desfilando sua anomalia encantadora...
Oh, meu Lobisomem!
Por que dilacerou meu coração?
Demonstrei ser um presa tão fácil?
Fomos condenados pelo brilho da Lua
Como eu o amava quando arrancava sua roupas
e lançava sobre mim o seu manto frio
E toda aquele vazio me causava compaixão
Só eu que percebia a sua fragilidade?
Eu ainda me componho pelas fases da Lua
Minha maldita perdição!
Mas não anoitece mais.
Porque os dias se tornaram tão longos?
A forma como você me deixou foi tão espinhosa
Não teve compaixão por mim
Encobriu-se com minha pele me deixando nua
Perante aos meus nervos
Fui revestida pela Dor
Agora toda fase é melancolia!

E pelo lobisomem eu tive compaixão(...)



Me gusta, Jack Kerouac!

Jack Karouack - Frases e citações

Disse ele: 

"A humanidade se assemelha aos cães, não aos deuses — se você não ficar zangado eles vão lhe morder – mas fique bravo e você nunca será mordido. Os cães não respeitam humildade e tristeza."


"Ofereça a eles aquilo que mais desejam secretamente; é claro que entrarão em pânico imediatamente." 

...

SAUDAÇÕES...


Não estou aqui para me desculpar, isso seria muita embriaguez de formalidade... Estou aqui apenas para  te encontrar.
Dizem  por aí que achamos tudo o que procuramos, mas porque temos que procurar pra achar?
Você me achou quase sem querer, eu te procurei, mas isso foi depois, depois de eu ter encontrado você...
Foi uma ótima procura, e as pessoas sentiram o que eu queria... Novamente sensibilizaram na hora errada.
Depois de tudo, da localização, da inflamação, me debruço sobre teus pelos, implorando pra que essa distância que eu resolvi anunciar, não tenha enfim te levado para outro seio, para outra cesta...
Nossas mãos se tocam... você não me protege das ruas movimentadas, nem dos pesadelos, você me protege assim, longe ao meu lado, trazendo dois toques, frios, de terço em terço, dos seus olhares adormecidos.
Assim eu só consigo molhar mais teus lençóis...
Boa noite.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pontos de Vista sobre um Curinga

Pobre curinga, não passa de um colecionador de instantes.
Dentre tantos, o de menos importância.
Na desprezível função de tapa buracos.
Bobo da corte,
lança no mundo teus risos dissimulados.
Poeta de fascínio trágico.
Colecionador de adeuses e  ilusões.
Nunca caberá mostrar o quão grande é teu coração pra uma dama.
Não passa de uma escolha efêmera.
Não se figura a nenhum naipe.
Se jogada não combina
logo será descartado do jogo.
O curinga pertence a corações vazios  
e a uma vontade sem fim de ser,
de se sentir no mundo.
Mas é apenas um palhaço em seu universo imaginário
e nada mudará sua situação de tapa buracos
Recolhido na caixa de baralho,
o curinga se permite chorar.
É dentro de si que se abre uma janela para os sonhos.
Beleza rara que se vê da solidão.
Eis o seu patrimônio, caro joker.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Os Sinos

I

Escuta: nos renós tilintam sinos
argentinos!
Ah! que de mundo de alegria o som cantante prenuncia!
Como tinem, lindo, lindo,
no ar da noite fria e bela!
Vão tinindo e o céu inteiro se constela,
florescente, refulgindo
com deleites cristalinos!
Dão ao Tempo uma cadência tão constante
como um rúnico descante,
com os tintinabulares, pequeninos sons, bem finos,
que nascendo vão dos sinos,
sim, dos sinos, sim, dos sinos,
saltitantes, bimbalhantes, dentre os sinos.

II

Escuta: em núpcias vão cantando os sinos,
áureos sinos!
Quantos mundos de ventura seu tanger nos prefigura!
No ar da noite, embalsamado,
como entoam seu enlevo abençoado!
Tons dourados, lentas notas
concordantes...
E tão límpido poema aí flutua
para as rolas que o escutam, divagantes,
vendo a lua!
Volumoso, vem das celas retumbantes
todo um jorro de eufonia
que se amplia,
"O futuro é belo e bom!"
- clama o som,
que arrebata, com em êxtases divinos,
no balanço repicante que lá soa,
que tão bem, tão bem ecoa
na vibrante voz dos sinos, sinos, sinos,
carrilhões e sinos, sinos,
no rimado, consonante som dos sinos.

III

Escuta: em longo alarma bradam sinos,
brônzeos sinos!
Ah! que história de agonia, turbulenta, se anuncia!
Treme a noite, com pavor,
quando os ouve em seu bramido assustador.
Tanto é o medo que, incapazes de falar,
se limitam a gritar,
em tons frouxos, desiguais,
clamorosos, apelando por clemência ao surdo fogo,
contendendo loucamente com o frenesi do fogo,
que se lança bem mais alto,
que em desejo audaz estua
de, no empenho resoluto de algum salto
(sim! agora ou nunca mais!),
alcançar a fronte pálida da lua!
Oh! os sinos, sinos, sinos!
De que lenda pavorosa, de alarmar,
falam tanto?
Clangorantes, ululantes, graves, finos,
quanto espanto vertem, quanto,
no fremente seio do ar!
E por eles bem a gente sabe - ouvindo
seu tinido,
seu bramido -
se o perigo é vindo ou findo.
Bem distintamente o ouvido reconhece
pela luta,
na disputa,
se o perigo morre ou cresce,
pela ampliante ou descrescente voz colérica dos sinos,
badalante voz dos sinos,
sim, dos sinos, sim, dos sinos,
do clamor e do clangor que vêm dos sinos!

IV

Escuta: dobram, lentamente, os sinos,
férreos sinos!
Ah! que mundo pensares tão solenes põem nos ares!
Na silente noite fria,
quando a alma se arrepia
à ameaça desse canto melancólico de espanto!
Pois em cada som saído
da garganta enferrujada
há um gemido!
E os sineiros (ah! essa gente
que, habitando o campanário
solitário,
vai dobrando, badalando a redobrada
voz monótona e envolvente...),
quão ufanos ficam eles, quando vão
tombar pedras sobre o humano coração!
Nem mulher nem homem são,
nem são feras: nada mais
do que seres fantasmais.
E é seu Rei quem assim tange,
é quem tange, e dobra, e tange.
E reboa
triunfal, do sino, a loa!
E seu peito de ventura se intumesce
com os hinos funerários lá dos sinos;
dança, ulula, e bem parece
ter o Tempo num compasso tão constante
qual de rúnico descante,
pelos hinos lá dos sinos!
Ah! dos sinos!
Leva o Tempo num compasso tão constante
como em rúnico descante,
pela pulsação dos sinos,
a plangente voz dos sinos,
pelo soluçar dos sinos!
Leva o Tempo num compasso tão constante,
que a dobrar se sente, ovante,
bem feliz esse rúnico descante,
com o reboar que vem dos sinos,
a gemente voz dos sinos,
o clamor que sai dos sinos,
a alucinação dos sinos,
o angustioso,
lamentoso, lutuoso som dos sinos!

 (Edgar Allan Põe)