"O fluxo do tempo é cruel, para cada
pessoa é diferente e ninguém nunca pode mudar , mas uma coisa que não mudam nunca , são as memórias de sua juventude." (Sheik, The Legend of Zelda)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Pensamentos pinkfloydianos...
"Lá em cima os albatrozes se mantêm
imóveis no ar
E nas profundezas das ondas nos labirintos
das cavernas de corais
O eco de um tempo distante vem magicamente
pela areia
E tudo é verde e submarino
E ninguém nos mostrou a terra
E ninguém sabe onde ou porquê
Mas algo encara e algo tenta
E começa a subir em direção à luz(...)"

Beco sem Saída
Aqui estou eu
em meio a encruzilhadas e preocupações.
Trabalhos comprados, horários perdidos,
Não tenho hora marcada.
Aqui me encontro
enquadrada, ao contrário,
perdida, desiludida, estrangeira.
Contrária à multidão, aos pensamentos,
às direções, às empresas,
aos colégios,
aos bancos.
Daí vem o primeiro esbarro.
Depois o segundo
e o terceiro.
Atravessam-me.
Balançam-me.
Sacodem-me os ossos
e os cabelos
que me voam e encostam
no desconhecido ombro vizinho.
"Me desculpe!"
...
e o quarto esbarro chega para finalmente dar lugar ao
quinto.
"Me desculpe! Perdão!"
e o sexto esbarro não tarda a sacudir-me.
E se vai, e vão, e vou
e não vou.
Se chegam, se voltam, se vão.
Se encontram, descansam,
ou esperam,
eu não vou.
Mas eu não sei onde ir.
Aqui me encontro
Vou e nunca chego.
E não chego, caminho.
Não sei onde vou.
"Me desculpe!"
"Pisei em seu pé?"
"Mas foi sem querer..."
Não sei onde estou.
Mais um esbarro. Esse doeu.
Pisaram em meu pé.
Não me deixam passar.
E mais um... me derrubam e caio no chão.
Me ergo, me recomponho.
A marca ficou. Sujei a vestimenta caindo no
chão.
Permaneço em meio à multidão.
Não sei aonde vão, não sabem aonde vou.
Pouco me importa, pouco importo a eles.
E me estremeço mais uma vez. Assim não dá.
Preciso chegar... Ah, já sei! Estou quase
chegando.
Mas... onde estou indo? Não sei.
Aqui estou eu
que não chego nunca,
mas... se chegasse
onde chegaria?
Uma hora eu preciso chegar...
Olá! Tem alguém aí? Acene se puder me
ouvir...
Eu preciso de algumas informações, você pode me ajudar?
Gostaria que mantivesse um contato “invisual”,
pois há uma parte em mim que fracassa ao ver ruas contornadas e derrubadas pelo
sono divino.
Observe aquele garoto solitário que acaba de
acenar no colo da mãe, e ela ao segurar, usa a outra mão imaginando o que
poderá fazer pra conseguir usar as duas.
Ele já entende o adeus, mas os anos surgirão
com toda majestade de esquecimento, e eu não posso ficar acordada esse tempo
todo, presenciando o esquecimento.
Tenho a sensação de que todas as pessoas
estão olhando a grande tela, a grande lente, agonizando como pedido, então
desligue a cidade e apague todas as luzes.
Não sustente as praças postas à mesa, pois não
possuímos nenhum monumento tão velho assim... Há uma possibilidade de eu ter
existido quando eles foram erguidos. Vocês os machucaram, a ferros e cortinas
enfeitadas.
Há um clima criado, perfurado, limpo após um
bom banho, gelado, corpos quentes, juntos, conscientes da velha ordem. Então
apague todas as luzes, talvez isso persista na dor.
Vocês traíram a revolta humana, vocês traíram
a tentativa de ajuda entre aqueles amigos.
Vocês destruíram corpos, corpos que não
incomodam mais, me ajude a entender isso. Eles precisam desaparecer para os
seus dentes aparecerem na última página? Eles não tiveram a oportunidade de ver
os fios de cabelo ganhando pigmentos como o seu.
Hoje a doce segunda inverte sua posição, mãos
acariciam os braços, mas os dedos se parecem com garras.
Há um parente importunando a pequena garota
pensativa, que como um ato de covardia, não move os olhos, não encara aquela
demonstração de loucura e realidade. Continua a crer que a realidade tortura
mais a invenção do que a própria mente.
Agora a felicidade e a sapiência respondem "Sim Senhor!" ao próprio exército.
Nada será mudado, nem mesmo quando a volta
estiver completa.
sábado, 22 de setembro de 2012
O que eu desejaria?
A primeira coisa que geralmente as pessoas
desejam pra gente é que tenhamos dinheiro. Bom eu não desejo, necessariamente,
que você tenha dinheiro. Você já reparou que temos mais do que precisamos?
Claro, eu e você, todos nós queremos sempre mais. Mas sempre somos da turma dos
99% e agora me responda: isso faz de nós pessoas mais infelizes ou mesmo mais
desesperadas como nos sentimos na semana passada? Repare bem nisso.
Eu não desejo, necessariamente, que você
tenha saúde. Geralmente é o que colocamos em primeiro lugar. Mas uma coisa é
inegável, com saúde ou sem saúde a gente tem que acertar as contas com o resto
e este não quer saber se você tem colesterol alto ou não. Você não consegue
reparar que isso é que é o belo? Beleza....o modelo da saúde bela está muito
aquém de que realmente somos.
“Sexo
também é bom negócio, o melhor da vida é isso é ócio....” É Zeca Baleiro, mas
eu também não desejo ,necessariamente, que você tenha sexo. Nada daquele
papinho transcendental. Não espere, pois ele não vai te levar a lugar algum.
Ah, e vale ressaltar que todos podem fazer sexo, ele não é restrito somente
para pessoas bonitas e na “flor da idade”.
Eu não desejo, de jeito nenhum, que você NÃO
sofra. As pessoas “modernas” tem um discurso muito igual. Tipo, você tem que
ligar pra fulano só depois da 3ª semana, quando na verdade a vontade é de ligar
no 3º dia. Qual é o problema de mostrar os bons sentimentos, o apreço? Ninguém
tem vergonha de demonstrar o ódio. Mas é aquela velha história de não sofrer.
Eu tenho medo das pessoas que dizem que nunca sofreram na vida, isso é
filosofia de psicopata. Acho que o mundo já está cheio demais de psicopatas.
Então, eu realmente desejo que sofra! Por falta de dinheiro, saúde, sexo ou
pelo excesso de tudo isso....apenas, não deixe de sofrer.
A única coisa que eu desejaria a você é que
NÃO passasse pela experiência da morte de uma criança. Caso você tenha uma vida
inteira sem passar por isso terá a segurança de que algo muito útil para sua
vida não será estraçalhado.
Mesmo
você não tendo essa experiência, saberá que outras pessoas hão de tê-la.
E agora você percebe que, mesmo se meus
desejos valessem alguma coisa, não
valeriam de nada.
Nós
caminhamos e nos afastamos. Essa é a herança do nosso movimento. Mas estamos
caminhando num círculo e chegará o momento do ponto de encontro em que a estrela se sobreporá ao
sol. E os elementos deixarão de ser vazios.
Complementando o pensamento, assista ao vídeo:
(Poema Pulsar- Augusto de Campos)
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