domingo, 14 de outubro de 2012

O depois da nordestina




"Macabéa é uma inocência pisada, de uma miséria anônima." (Clarice Lispector)

Macabéa se foi...
agora toda vez que chove
é ela que está
em infinitos líquidos
descendo pelo Céu
que nem uma carta prevê sua vinda
Sempre sentira um não-sei-que
mas nunca houvera alguém para entender
quando até Deus se anulava
Ela só fazia chover Olímpico
Agora inunda os pensamentos limitados
(Por que?)
e regurgita ano-luz
hora que a Estrela brilha.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O jogo da vida


"O fluxo do tempo é cruel, para cada pessoa é diferente e ninguém nunca pode mudar , mas uma coisa que não mudam nunca , são as memórias de sua juventude." (Sheik, The Legend of Zelda)

Pensamentos pinkfloydianos...


 "Lá em cima os albatrozes se mantêm imóveis no ar
  E nas profundezas das ondas nos labirintos das cavernas de corais
  O eco de um tempo distante vem magicamente pela areia
  E tudo é verde e submarino
  E ninguém nos mostrou a terra
  E ninguém sabe onde ou porquê
  Mas algo encara e algo tenta
  E começa a subir em direção à luz(...)"


Foto: Se

Se eu fosse um cisne, estaria morto
Se eu fosse um trem, estaria atrasado
E se eu fosse um bom homem
Conversaria contigo mais frequentemente do que faço
Se eu fosse dormir, poderia sonhar
Se eu tivesse medo, poderia me esconder
Se eu enlouquecer, por favor não ponha
Seus arames no meu cérebro
Se eu fosse a lua, eu seria legal
Se eu fosse uma regra, estaria dobrado
Se eu fosse um bom homem, eu entenderia
As distâncias entre amigos
Se eu estivesse só, eu choraria
E se eu estive contigo, eu estaria em casa e seco
Se eu enlouquecer
Você ainda vai me deixar participar do jogo?
Seu eu fosse um cisne, estaria morto
Se eu fosse um trem, estaria atrasado novamente
Se eu fosse um bom homem
Conversaria contigo mais frequentemente do que faço

Beco sem Saída


Aqui estou eu
em meio a encruzilhadas e preocupações.
Trabalhos comprados, horários perdidos,
Não tenho hora marcada.
Aqui me encontro
enquadrada, ao contrário,
perdida, desiludida, estrangeira.
Contrária à multidão, aos pensamentos,
às direções, às empresas,
aos colégios,
aos bancos.
Daí vem o primeiro esbarro.
Depois o segundo
e o terceiro.
Atravessam-me.
Balançam-me.
Sacodem-me os ossos
e os cabelos
que me voam e encostam
no desconhecido ombro vizinho.
"Me desculpe!"
...
e o quarto esbarro chega para finalmente dar lugar ao quinto.
"Me desculpe! Perdão!"
e o sexto esbarro não tarda a sacudir-me.
E se vai, e vão, e vou
e não vou.
Se chegam, se voltam, se vão.
Se encontram, descansam,
ou esperam,
eu não vou.
Mas eu não sei onde ir.
Aqui me encontro
Vou e nunca chego.
E não chego, caminho.
Não sei onde vou.
"Me desculpe!"
"Pisei em seu pé?"
"Mas foi sem querer..."
Não sei onde estou.
Mais um esbarro. Esse doeu.
Pisaram em meu pé.
Não me deixam passar.
E mais um... me derrubam e caio no chão.
Me ergo, me recomponho.
A marca ficou. Sujei a vestimenta caindo no chão.
Permaneço em meio à multidão.
Não sei aonde vão, não sabem aonde vou.
Pouco me importa, pouco importo a eles.
E me estremeço mais uma vez. Assim não dá.
Preciso chegar... Ah, já sei! Estou quase chegando.
Mas... onde estou indo? Não sei.
Aqui estou eu
que não chego nunca,
mas... se chegasse
onde chegaria?

Uma hora eu preciso chegar...

Albert Camus



Olá! Tem alguém aí? Acene se puder me ouvir...
Eu preciso de algumas  informações, você pode me ajudar?
Gostaria que mantivesse um contato “invisual”, pois há uma parte em mim que fracassa ao ver ruas contornadas e derrubadas pelo sono divino.
Observe aquele garoto solitário que acaba de acenar no colo da mãe, e ela ao segurar, usa a outra mão imaginando o que poderá fazer pra conseguir usar as duas.
Ele já entende o adeus, mas os anos surgirão com toda majestade de esquecimento, e eu não posso ficar acordada esse tempo todo, presenciando o esquecimento.
Tenho a sensação de que todas as pessoas estão olhando a grande tela, a grande lente, agonizando como pedido, então desligue a cidade e apague todas as luzes.
Não sustente as praças postas à mesa, pois não possuímos nenhum monumento tão velho assim... Há uma possibilidade de eu ter existido quando eles foram erguidos. Vocês os machucaram, a ferros e cortinas enfeitadas.
Há um clima criado, perfurado, limpo após um bom banho, gelado, corpos quentes, juntos, conscientes da velha ordem. Então apague todas as luzes, talvez isso persista na dor.
Vocês traíram a revolta humana, vocês traíram a tentativa de ajuda entre aqueles amigos.
Vocês destruíram corpos, corpos que não incomodam mais, me ajude a entender isso. Eles precisam desaparecer para os seus dentes aparecerem na última página? Eles não tiveram a oportunidade de ver os fios de cabelo ganhando pigmentos como o seu.
Hoje a doce segunda inverte sua posição, mãos acariciam os braços, mas os dedos se parecem com garras.
Há um parente importunando a pequena garota pensativa, que como um ato de covardia, não move os olhos, não encara aquela demonstração de loucura e realidade. Continua a crer que a realidade tortura mais a invenção do que a própria mente.
Agora a felicidade e a sapiência respondem "Sim Senhor!" ao próprio exército.
Nada será mudado, nem mesmo quando a volta estiver completa.

sábado, 22 de setembro de 2012

O que eu desejaria?

 A primeira coisa que geralmente as pessoas desejam pra gente é que tenhamos dinheiro. Bom eu não desejo, necessariamente, que você tenha dinheiro. Você já reparou que temos mais do que precisamos? Claro, eu e você, todos nós queremos sempre mais. Mas sempre somos da turma dos 99% e agora me responda: isso faz de nós pessoas mais infelizes ou mesmo mais desesperadas como nos sentimos na semana passada? Repare bem nisso.

Eu não desejo, necessariamente, que você tenha saúde. Geralmente é o que colocamos em primeiro lugar. Mas uma coisa é inegável, com saúde ou sem saúde a gente tem que acertar as contas com o resto e este não quer saber se você tem colesterol alto ou não. Você não consegue reparar que isso é que é o belo? Beleza....o modelo da saúde bela está muito aquém de que realmente somos.
 “Sexo também é bom negócio, o melhor da vida é isso é ócio....” É Zeca Baleiro, mas eu também não desejo ,necessariamente, que você tenha sexo. Nada daquele papinho transcendental. Não espere, pois ele não vai te levar a lugar algum. Ah, e vale ressaltar que todos podem fazer sexo, ele não é restrito somente para pessoas bonitas e na “flor da idade”.
Eu não desejo, de jeito nenhum, que você NÃO sofra. As pessoas “modernas” tem um discurso muito igual. Tipo, você tem que ligar pra fulano só depois da 3ª semana, quando na verdade a vontade é de ligar no 3º dia. Qual é o problema de mostrar os bons sentimentos, o apreço? Ninguém tem vergonha de demonstrar o ódio. Mas é aquela velha história de não sofrer. Eu tenho medo das pessoas que dizem que nunca sofreram na vida, isso é filosofia de psicopata. Acho que o mundo já está cheio demais de psicopatas. Então, eu realmente desejo que sofra! Por falta de dinheiro, saúde, sexo ou pelo excesso de tudo isso....apenas, não deixe de sofrer.
A única coisa que eu desejaria a você é que NÃO passasse pela experiência da morte de uma criança. Caso você tenha uma vida inteira sem passar por isso terá a segurança de que algo muito útil para sua vida não será estraçalhado.
 Mesmo você não tendo essa experiência, saberá que outras pessoas hão de tê-la.
E agora você percebe que, mesmo se meus desejos  valessem alguma coisa, não valeriam de nada.