quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Traçados reais

A garota costumava encher o seu caderno com desenhos. Quem diria que algum dia na sua vida representaria num papel o seu próprio destino.  Espontaneamente ela desenha um coração partido. Mal tracejado, desingonçado, predestinando o caminho das desilusões futuras da pobre garota. Ela não sabe, é apenas uma criança, mas traços expelidos num papel são como palavras lançadas ao mundo, não há mais como voltar atrás.  Arranca a folha com o desenho do coração partido e exibe pras paredes do quarto. Como são cruéis os que escolhem quem irá sofrer e sem nenhum ressentimento ainda debocham e saem fora. O vento toma dos concretos o papel com o coração partido e tenta consertar o desenho. Mas não adianta. Os dedos já fizeram apostas futuras.  Eles riem monstruosamente. A garota nunca sentirá vergonha de demonstrar seus sentimentos, ela tem demais.  Mas nunca escolherá o certo a quem entregar o seu coração. Ela viverá num mundo de encruzilhadas.
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Um amor que grita ou um amor que silencia?


O Barco

Barco à deriva, em busca de uma trajetória encerrada em teu olhar. O vento sopra trazendo um ar cálido das velas que me beija a face. Desprende-se um canto solo que se confunde ao azul-turquesa da água. Por que choras Mar, já que não possuis âncoras que te prendem a um naufrágio? Feliz és tu que podes descobrir novos mundos. Ainda sonham os meus olhos, estes já não possuem sal em tudo que ver, têm saudades de horizontes. Talvez seja uma descoberta, talvez seja uma liberdade. Tantas tempestades enfrentadas arrastaram feridas que já nem dói. O que vem na lembrança é uma vontade de ser. Vou-me firmando no leme do meu coração errante e suavizando a ânsia do que ainda estou por descobrir. Ficar é regredir. Visto-me com as cores do dia nascente. Miro os dormentes raios de sol que trazem consigo traços da minha essência, mesmo efêmeros. Em minhas mãos eu tento agarrar o vento que traz vestígios ínfimos do canto de uma sereia, ritmado ao beijo das ondas com a proa. Peixes pintam telas no fundo do mar. Todos esses olhares é o prazer de negar a solidão, livre de amarras. Teu olhar apareceu e trouxe consigo as ondas para eu navegar. Parto à descoberta!


                               

( The Wizard of Oz)
                                                                                                                


As mulheres de Picasso








Musas fragmentadas

de sensualidades selvagens e monstruosas.
Pinceladas com violência,
geometricamente expressiva.
Ocultadas atrás de planos gris.
Transgressoras das simetrias
de pés que voam,
de cabeças que rastejam,
motivando uma desordem.
Olhares tridimensionais
em tons suaves e melancólicos,
tão brutais e tão frágeis.
Bárbaras silenciadas pela sua natureza,
arquejada nos palco das tragédias humanas
à beira de um abismo
e dos tormentos de um artista.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


Quase um pedido e toda a minha incoerência inundariam o tabuleiro que nos cercava. Só um pedido, pra que ficasse ali, inerte. Mas não era o mesmo sentimento de outrora. Não! Havia uma gama de impressões diversas e das piores.  Onde escondera aquele brilho precioso? Por que fragmentar o íntimo da alegria que trazia em suas mãos? Grãos? Pra que, se nada inalteram a balança. Gotas de ( in)conformismo caminharam pela minha face e logo um bafejo me arremessa pra um total desdém. Carregar uma ausência por si era um fardo que minha alma terrivelmente vulnerável já não tinha disposição. Menos mal, todo pensamento veio   à tona no "quase".  As estúpidas ondas sonoras do "porém" certamente me colocaria diante do patetismo.


E tudo é questão de  peculiaridade..



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011